marcas da vida e a educação dos filhos

AS MARCAS DA VIDA E SUA RELAÇÃO COM A EDUCAÇÃO

16/04/2019| Marcela

Diariamente me vem uma pergunta à cabeça: será que eu estou fazendo o melhor que consigo para oferecer às minhas filhas uma boa educação? Prestaram atenção na pergunta? O MELHOR QUE EU CONSIGO! Sim!

Durante um tempo, essa pergunta era outra: pairavam na minha cabeça questionamentos se eu estava fazendo certo, errado ou a culpa quando sentia que tinha falhado em algo. Hoje o meu posicionamento é diferente.

Apesar de acreditar que é importante nos informar e buscar conhecimento constante para sermos pais e mães, acredito que os meus sentimentos, meu feeling e meu amor pelas minhas filhas são capazes de me conduzir para atitudes mais maduras, baseadas na empatia e no afeto!

Diante disso, muitos me perguntam: é possível ensinar para as crianças esses sentimentos?

E eu diria que SIM! Porém, não um “ensinar” pautado nas metodologias e didáticas de educação tradicionais! Eu acredito no “ensinar” através do exemplo, da referência, da apropriação e vivência dos conceitos e emoções que queremos transmitir para os nossos filhos!

Então, eu gostaria de te convidar agora a parar o que estiver fazendo para seguir as instruções deste texto! E, se você é pai ou mãe, eu sugiro fortemente que você o leia até o final!

Olhe para o espelho! Qualquer espelho que seja: se permita olhar profundamente nos seus olhos e observar essa mulher (ou homem) que está aí à sua frente! O que você percebe? Às vezes algumas rugas (no meu caso) ou o semblante cansado depois de um dia intenso de cuidado com os filhos, de trabalho, de dedicação a casa, ao parceiro (a) ou um rosto sorridente e feliz por sentir que está tudo bem à sua volta… independente do que você enxerga nesse momento, te convido a ir além! Pergunto o que você vê por trás de tudo isso!

Quais são as marcas emocionais que a vida deixou em você até esse momento? Marcas de sua infância, do seu relacionamento com seus pais, marcas de suas relações amorosas, de amizades… Quais são as marcas que você carrega consigo e que impactam diretamente no seu modo de agir e se relacionar hoje? Quais são essas crenças que fazem com que você estabeleça esse tipo de relação com seu filho: às vezes baseada em um amor condicional, em castigos, recompensas, punições, em um rigor excessivo onde os pais mandam e as crianças obedecem (sem poder se sentir parte, de forma efetiva, dessa relação familiar).

Sei que tem muita coisa por trás desse rosto que você vê no espelho, mas eu não estou aqui para te julgar! A minha proposta é exatamente o contrário disso. Estou aqui para te dizer: “Seja gentil com você mesma (o)”. Sei que apesar de todo cansaço da rotina, dos desgastes emocionais, das exigências sociais muitas vezes tão invasivas e agressivas, você tem feito um bom trabalho. E é preciso que VOCÊ acredite nisso.

Quando estamos dispostos a verdadeiramente estabelecer uma relação honesta com as crianças, precisamos começar a demonstrar a nossa própria humanidade! E para isso o que vale é ser sincero com a gente mesmo! E isso envolve olhar para trás e fazer uma breve visita ao passado para entender de que forma ele continua repercutindo nas nossas ações no presente!

Sem julgamentos

Eu te entendo! De coração! Às vezes dói olhar para esse passado, às vezes dói não amar a nossa própria história. E eu quero te dizer hoje que ESTÁ TUDO BEM! Muitas vezes não temos realmente motivos para amar aquilo que foi e quero te apoiar a aceitar esse sentimento!

Quando começamos a aceitar a nossa própria história e as emoções envolvidas nela, independente quais são, começamos a abrir espaços para permitir que novas possibilidades de “ser” se desenhem à nossa frente! Então, experimente esse sentimento! Vivencie essas emoções e deixe que elas passem, se libertando de todo o peso de ter que lidar com as expectativas do outro que são sempre tão desgastantes para nós, mesmo que essa não seja a intenção do outro!

Está tudo bem!

Agora sim, viajando na nossa própria história, estamos prontos para transmitir aos nossos filhos toda nossa humanidade! E demonstrar humanidade é aceitar que erramos muito, muitas vezes ao dia e ESTÁ TUDO BEM… É aceitar que também ficamos tristes, com raiva, com medo, que às vezes não nos orgulhamos de atitudes impensadas que tomamos e ESTÁ TUDO BEM…

É aceitar que às vezes, mesmo estando numa constante busca de amadurecimento, vamos dar uns três passos para trás no nosso processo, retrocedendo em alguns comportamentos e ESTÁ TUDO BEM… Porque, VERDADEIRAMENTE, está tudo bem!

Estamos caminhando no nosso autoconhecimento, no nosso processo de amadurecimento, na nossa relação com nossos filhos, no nosso papel de pai ou mãe! E nesse caminhar, que não termina nunca (graças a Deus), é preciso nos permitir mais, nos aceitar mais e ser gentil com nossas próprias dores e limitações.

Um olhar para nossa criança interior

Com as crianças acontece da mesma forma! É verdade que elas nos desafiam muitas vezes com seus comportamentos e a nossa tendência é acreditar que elas estão querendo nos enfrentar ou nos atingir! Essa nossa percepção está enviesada pela nossa forma de aculturação e de educação.

As crianças, na essência, são colaborativas e amorosas! Elas não se comportam de maneira desafiadora para nos testar. Esses comportamentos muitas vezes dizem de necessidades não atendidas, às vezes necessidades básicas (de sono, alimentação, etc.) e, outras muitas vezes, necessidades emocionais (atenção, amor, sentimento de pertença).

Sabendo disso, é importante que não coloquemos CONDIÇÕES para amá-las como: “Se você fizer isso, mamãe faz aquilo” OU “Papai não vai gostar mais de você quando você tem tal atitude”. As crianças, por ainda não serem totalmente amadurecidas cognitivamente, interpretam essas mensagens como condições para serem amadas.

É importante que elas saibam e sintam que nós as amamos de uma forma incondicional, APESAR do comportamento, mesmo que seja difícil demonstrar isso nos momentos desafiadores. E vale aqui um lembrete: as crianças mais difíceis de amar são aquelas que mais precisam do nosso olhar!

Antes que possamos nos deixar levar pelos castigos e recompensas, é importante nos permitir dar um tempo para olhar para dentro e acolher esse sentimento que é nosso: um desamparo da nossa própria criança ferida. Assim, a cada passo que damos honestamente, demonstrando toda nossa humanidade através dos nossos próprios erros, vamos ensinando às crianças conceitos de empatia, de amor, de comunicação verdadeira, de conexão!

Então, se você hoje não se sente suficientemente satisfeita (o) com o tipo de relação que tem estabelecido com seu filho, te convido a buscar as marcas da sua história: o que te constitui? Quais desafios você já enfrentou? Qual a história da infância dos seus pais?

Pense nisso! Assim, começamos a ver o mundo com mais empatia e menos julgamento porque sabemos que por trás de todo comportamento, existe uma história, uma marca! E quando aumentamos o nosso nível de consciência, por mais dolorido que seja (e às vezes essa dor é extremamente profunda), podemos fazer uma escolha diferente!

Podemos olhar para os nossos filhos e deixar que eles nos “guiem” emocionalmente nessa jornada. Podemos nos permitir ser mais leves, podemos até mesmo aceitar o convite que os nossos filhos nos fazem diariamente para experimentar uma nova oportunidade de viver a nossa infância! Agora com mais consciência e gentileza por nós mesmos!

No próximo texto, vou dar algumas dicas práticas de como estabelecer essa relação com os filhos nos momentos desafiadores. E como trabalhar formas alternativas para os castigos, recompensas, etc.

Se você se sentiu tocado por tudo que leu e deseja criar uma conexão mais profunda com seu filho, estou disposta a te apoiar nesse processo. Visite minha página no instagram @psicologa_marcela_linhares e conheça mais sobre o meu trabalho! Não deixe de acompanhar os nossos conteúdos semanais na coluna CONEXÃO PAIS E FILHOS!

 

Casada, mãe da Lavínia e da Milla, 3ª filha de uma família de 3 irmãos. Natural de Ponte Nova e residente há um tempo em Divinópolis. Graduada em Psicologia pela UFMG. Psicóloga atuante na área de psicologia infantil e familiar, apoiando as mães e pais no processo de autoconhecimento e vivência de uma maternidade mais leve, prazerosa e conectada com as crianças. MBA em Liderança e Gestão de Pessoas. Atuação na área de Gestão de Pessoas há 14 anos.

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