como estabelecer empatia e clareza na comunicação com os filhos

COMO ESTABELECER EMPATIA E CLAREZA NA COMUNICAÇÃO COM OS FILHOS

17/01/2019| Marcela

É fato que existe uma necessidade básica em nossa vida: se comunicar! Existe a necessidade de trocar, conectar, compartilhar vivências, criar afinidades, ser ouvido, compreendido, se sentir notado e acolhido pelo outro. E saber como estabelecer empatia e clareza na comunicação com os filhos é essencial.

Desde muito cedo, começamos essa tentativa de transmitir ao outro aquilo que estamos pensando, sentindo, vivenciando… E a gente faz isso de diversas formas: através do choro, birra, ataques de raiva ou através dos sorrisos, da alegria… e também por meio de palavras, de gestos, de atitudes, símbolos…

No caso da criança, como sua linguagem verbal ainda é limitada, o seu corpo é o grande veículo para expressar o que sente. Apesar de parecer uma tarefa bastante simplista, a comunicação continua sendo um dos principais desafios nas relações que estabelecemos, independente com quem seja essa interação. Saber “ouvir” e interpretar realmente o que o outro quer comunicar através de suas diferentes formas de expressar ainda é algo que demanda muito esforço.

Na última semana fiz uma viagem com minha família de férias e um episódio me chamou muito a atenção para esse assunto. Lavínia, minha filha mais velha, chegou perto de mim e falou que precisava urgentemente aprender espanhol. Falei que esse ano na escola ela teria a disciplina, mas ela falou que não dava para esperar.

Quando a questionei sobre o porquê dessa urgência, ela falou que havia conhecido uma amiguinha e ela não estava conseguindo compreender as coisas que a nova amiguinha falava, pois ela era argentina. Fui conhecer a amiguinha e conseguimos estabelecer, mesmo com certa dificuldade, uma comunicação razoável.

Depois deixei as duas interagindo da maneira delas. E sabe o que pude perceber? Que, apesar dos vários desafios que o processo de comunicação nos apresenta em relação às diferenças de valores, experiências de vida, idades, nacionalidades, cargos hierárquicos, etc., nós temos formas viáveis de permitir que esse processo flua com mais naturalidade.

Abaixo, listei para vocês dois pontos simples, mas que acredito que são grandes inspirações para melhorar as trocas que estabelecemos com o outro.

EMPATIA MELHORA A COMUNICAÇÃO COM OS FILHOS

Ser empático para perceber o que o outro quer transmitir através da escuta atenta e da disponibilidade verdadeira é imprescindível no processo de comunicação para absorver não somente o que o outro diz, mas também para captar o sentimento que está por trás dos gestos e, por vezes, atitudes desafiadoras.

Quando você se coloca disponível integralmente para a pessoa, direcionando sua atenção a ela e disposto a “ouvir” sem julgamentos, preconceitos ou defensividade, você estabelece uma conexão capaz de criar vínculos de confiança e respeito.

Essa disponibilidade e presença permitem ainda a percepção dos sentimentos que essa comunicação gera em você e também as emoções transmitidas pelo outro através desse processo. Mesmo que pareça simples, entender os sentimentos envolvidos nas interações estabelecidas com o outro não é nada fácil, mas extremamente necessário para que realmente possamos nos comunicar de forma eficaz, fazendo com que o entendimento do outro coincida com a mensagem que você quis transmitir!

E em matéria de empatia, as crianças nos surpreendem! Como elas ainda não têm os filtros sociais do que supostamente seria considerado adequado ou não (ainda bem! Rsrs), elas simplesmente se entregam ao processo.

Elas estão ali, presentes, disponíveis, dispostas a compreender o outro em suas demandas! E foi exatamente isso que aconteceu com a Lavínia e sua nova amiguinha. Eu saí de cena e elas ficaram por um tempo conversando… não sei do que falaram, não sei de que forma se faziam compreender, mas estavam ali, trocando, rindo, aproveitando o dia de sol juntas.

Quando chamei a Lavínia para ir embora, ela se despediu com um “Tchau Lucrecia, gracias!” e, nesse momento, eu pude entender que a empatia havia realmente acontecido ou, pelo menos, a tentativa de se conectarem!

E, como mãe, fiquei refletindo ainda mais na importância de estar atenta aos sentimentos! Quando nós, adultos e pais, começamos a perceber o que se passa internamente no nosso campo emocional, temos mais condições de ensinar às crianças sobre as emoções e a necessidade de expressarem o que sentem. Porque a comunicação, inevitavelmente, é permeada pelos sentimentos.

Somos seres emocionais, agimos e reagimos aos impactos do nosso entorno. Ao perceber e ensinar sobre os nossos afetos, conseguimos ser mais empáticos e ajudamos a criança a ter mais clareza na comunicação! E aqui cabe uma ressalva importante: precisamos ser empáticos com a gente mesmo, com nossas dores e necessidades, pois só assim conseguimos ter um olhar mais compreensivo na relação com o outro.

CLAREZA APROXIMA E FORTALECE OS LAÇOS FAMILIARES

A comunicação verdadeira abre espaços para processos de cura e ressignificação. O expressar (falando, agindo, demonstrando) alivia, acalma e possibilita o entendimento, a sintonia e o estabelecimento de afinidades.

Os pais são os grandes responsáveis por nomear o mundo para as crianças, conversar sobre o que será feito com elas e, ao mesmo tempo, acolher o que elas trazem, considerando-as como seres que se expressam e devem ser ouvidos.

As crianças são como esponjas que estão constantemente absorvendo e coletando do mundo através da forma que falamos, da maneira que agimos e das relações que estabelecemos. Com isso, elas são capazes de perceber o nosso mundo interno.

Quando falamos algo para a criança e não conseguimos sustentar com a nossa postura, ela percebe essa incoerência! Então, é importante comunicar de forma sincera com as crianças, ou seja, com simplicidade e clareza, alinhada com os nossos sentimentos, mesmo se tratando de “sentimentos e atitudes que não são socialmente aceitos”.

Quando comunicamos o que está acontecendo nós aliviamos para a criança o que ela está sentindo, pois ela é um ser perceptivo e intuitivo e sente o seu redor. Mostrar para a criança a humanidade dos pais é permitir que ela se sinta mais conectada com os pais reais e não com o ideal que criamos, livre de falhas e imperfeições.

Então, desejo cada vez mais que possamos ser empáticos, nos colocar verdadeiramente no lugar do outro, fazendo a tentativa de compreender emocionalmente aquilo que o outro quer nos transmitir. E quer uma última dica para facilitar esse processo de comunicação? Comece com um sorriso! Sorria para seu filho, para seus pais, para um desconhecido no elevador… simplesmente sorria, isso irá ajudar no seu processo de empatia pelo outro!

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Casada, mãe da Lavínia e da Milla, 3ª filha de uma família de 3 irmãos. Natural de Ponte Nova e residente há um tempo em Divinópolis. Graduada em Psicologia pela UFMG. Psicóloga atuante na área de psicologia infantil e familiar, apoiando as mães e pais no processo de autoconhecimento e vivência de uma maternidade mais leve, prazerosa e conectada com as crianças. MBA em Liderança e Gestão de Pessoas. Atuação na área de Gestão de Pessoas há 14 anos.

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